O que é: sobre estudos e experimentações transversais — um plano de pesquisa e criações

De início, o contexto geral:

Os chamados “estudos e experimentações transversais” contextualizam encontros presenciais, no formato de aulas, e encontros de criações e pesquisa, no formato de ateliês. Tais encontros tomam como base investigações passadas e atuais deste que o propõe, um estudante-artista-educador.

Do ponto de vista da pesquisa e da escrita, afirmando e compartilhando um histórico de investigações, contextualizadas como estudos e experimentações transversais, este plano delineia um caminho do já percorrido — via a transversalidade de aulas, textos e produções cênicas passadas –, para um percurso a ser atualizado, nas aulas e textos em produção atual.

Cada encontro aborda uma temática, expressa em um breve texto-aula, para ser compartilhado em encontros, em desdobramento em ensaio em vias de escritas e publicações em processo.

Transversalmente, são temas que permeiam produções passadas, que buscamos aqui destacar como um caminho que vai dos pressupostos (seção 1), passa pelas condições sobre as quais produzimos e performamos (seção 2), e se afirma como práticas éticas, estéticas e políticas (seção 3); as chamadas práticas teóricas (seção 4), expõem perspectivas de modos de fazer, de vidas, enquanto tecnologias de si, como vias de produção e performances da e na existência — trata-se de uma seção que, conforme destacamos ao apresentar o funcionamento deste plano, apresenta práticas, exercícios, maneiras de viver, via a filosofia antiga, budismos, yoga e artes.

Sobre concepções e desdobramentos dos encontros:

Entendendo a arte como processo de investigação e criação, e a educação como estudo do passado, de âmbito cultural, e de transcriação no presente – portanto, neste sentido, também artística –, propomos este espaço como dedicação ao estudo, enquanto tarefa de pesquisa, experimentação e invenção.

Ativamente contra a tendência contemporânea de informação e comunicação diretivas, promovemos este espaço de encontro para cultivar presenças, interpretações possíveis e produções criativas – dos estudos prévios às experimentações imprevistas.

A transversalidade, neste contexto, é o princípio de uma não hierarquia de saberes e práticas, agenciando aquilo que é possível, desde que concorra para o potencial de imaginar, pensar e agir.

Por este motivo, a rigor, se tratam de estudos sobre a cultura, em sentido amplo (ou culturas), e de experimentações associadas ao artístico, mas em um contexto aberto e não restrito aos artistas. As aulas, on-line, funcionam como espaço instrutivo a respeito da história cultural, dos saberes, da filosofia, da arte e da educação. Sobre estes estudos, experimentamos e produzimos, nas aulas, mas, sobretudo, em encontros específicos dedicados à pesquisa e criação. Estes dois momentos, aulas on-line e encontros de pesquisa e criação, funcionam como (per)curso livre, no caso do primeiro, e ateliês, laboratórios ou oficinas criativas, no caso do segundo.

Assim, destacamos a importância de uma atuação contra a suposição de que estudar e, sobretudo, pensar e investigar a vida, sociocultural, suas condições e seus sentidos – seja como ato filósofo, artístico ou educacional –, seria um luxo, uma atitude de quem possui privilégios. Defendemos o estudo como condição primordial contra a alienação sobre o viver e, com efeito, contra uma alienação de si próprio.

Pensar aqui se implica no princípio do estudo, entendendo como processo de percepção sensível, que convoca a memória e imaginação e, neste processo, o pensamento – e com ele invenções, fabulações. Pensar é experimentar. Experimentar é um processo corporal e social.

Contra a suposição de um privilégio, no sentido de um ócio criativo ou da intelectualidade de um estudioso erudito, defendemos um estudo cotidiano, em meio à vida, com seus dilemas e angústias.

Portanto, propomos a produção de condições, ainda que instáveis, de criação de mais espaços e tempos: de respiro, de presença, de cultivo da percepção, da memória e da imaginação, de pensamentos e de invenções. Espaço-tempo para estudar e criar, podendo se associar a uma criação artística, estudo escolar, pesquisa acadêmica ou produção laboral, desde que a ênfase esteja no processo, e que os fins não subjuguem os meios.

Com efeito, defendemos e propomos este espaço de estudo e experimentações transversais como um tempo dedicado à vida, contemplando-a, estudando-a, experimentando-a. Contra a subjugação do viver à produção de bens e de consumo, sobre a suposição de um “viver cada vez melhor”, buscamos, via estudos e aprendizados com diferentes culturas, aquilo que os povos indígenas definiram como um bem viver. Por este motivo, a participação nesses encontros é independente de troca monetária, ainda que esta seja prevista: não negamos a condição da vida em uma sociedade capitalista, mas buscamos, com atenção ativa e criativa, alternativas em pequenas ações e “coletivações”, como estes encontros on-line e presenciais.

Para tanto, em paralelo às aulas em ambiente virtual, viculadas à este site, ocorrem outras modalidades de encontros voltados ao estudo, experimentação e criação, como aulas-espetáculo, oficinas e encontros presenciais de pesquisa e criação.