Proposta
O malabarismo engloba uma multiplicidade de técnicas, incluindo diversos objetos em jogo, variados estilos e possíveis articulações com música, dança, teatro, educação, história, filosofia etc. A despeito disso, no imaginário popular o malabarismo é representado de um modo restrito, não incluindo as possibilidades artísticas e educativas no sentido aqui proposto. Portanto, com o intuito de introduzir pessoas interessadas neste complexo universo, esta proposta intitulada “Malabarismo: técnica, experimentação, dança”, subdivide-se em três partes, cada uma delas incluindo uma introdução contextual e um desenvolvimento prático, podendo ser realizada em formato de oficina breve, até doze horas, com carga horária estendida (a definir) ou de modo contínuo, com encontros semanais. Assim, cada parte, um conjunto temático, pode ser realizada como uma oficina, com duração prevista de quatro horas, propondo-se um total de doze horas para incluir as três temáticas: técnica, experimentação e dança. Trata-se, no todo, da apresentação de aspectos técnicos básicos e da proposição, a partir deste entendimento, de experimentações e articulações com a dança, assim como detalhado abaixo. Ressalta-se que esta proposição pode ser realizada como uma oficina contínua, com encontros semanais, para o desenvolvimento de exercícios, correções e evoluções, conforme exposto a seguir.

Público:
Proposta destinada àqueles e àquelas que possuem interesse nas artes cênicas, em específico no malabarismo, com ou sem experiência prévia. Pode ser adaptada ao público adulto e infantil.
Duração
Esta atividade, de caráter artístico e educacional, pode ser realizada em formato breve ou estendido. No primeiro modo, é previsto um, dois ou três dos conjuntos temáticos – técnica, experimentação e dança – apresentados a seguir. Desta maneira, pode ser realizada com quatro, oito ou doze horas de atividade. Dito isso, e considerando que o malabarismo demanda tempo de treino, isto é, de repetição para o efetivo aprendizado, quando mais tempo dedicado para esta proposta melhor será a apropriação das e dos estudantes. Portanto, as doze horas totais previstas objetivam uma introdução técnica, exercícios de experimentação e articulações com a dança, mas um efetivo desenvolvimento destes aspectos demanda tempo, sendo que a carga horária precisaria ser aumentada para tanto, a depender do contexto. Logo, esta proposta pode ser realizada com um caráter introdutório, em torno de doze horas, mas ela prevê a possibilidade de uma maior carga horária para o desenvolvimento de exercícios, correções e evoluções. Neste sentido, “Malabarismo: técnica, experimentação, dança”, pode ser ofertada como uma oficina contínua, com encontros semanais.
Conjuntos temáticos
1 – Técnica:
Objetivo geral:
Introdução ao malabarismo de lançamento e ao malabarismo de contato a partir de aspectos da física e da cinesiologia. Analisar a dinâmica dos objetos – inicialmente bolas – no espaço em interação com o movimento do corpo humano.

Objetivos específicos:
- Compreender a relação entre a ação física, e sua origem muscular, e o deslocamento do objeto no espaço, com postura corporal adequada, domínio de força e ritmo;
- Dominar o lançamento de um objeto e iniciar o lançamento de dois e três objetos;
- Compreender a técnica de malabarismo de contato em relação ao equilíbrio estático e dinâmico do objeto e do corpo humano;
- Dominar equilíbrios e rolamentos na mão e antebraço.
2- Experimentação
Objetivo geral:
Experimentar variações de lançamento e variações de equilíbrios e rolamentos. Explorar possibilidades das interações entre o corpo humano e o corpo dos objetos. Experimentar dinâmicas de movimentos como pinças, quiques, dentre outras, explorando variações com diferentes objetos, além das bolas de diferentes tamanhos, como clave, poi e objetos cotidianos.

Objetivos específicos:
- Entender o malabarismo como um jogo e processo de criação, com fruição e invenção de possibilidades;
- Experimentar, a partir das proposições do professor, caminhos na interação entre o corpo humano e os corpos objetos;
- Experimentar as possibilidades de jogo de malabarismo com diferentes objetos, dentre eles elementos cotidianos, como bolsas, roupas etc.
- Realizar pequenas composições a partir destas experimentações, compartilhando-as com os colegas.
3 – Dança:
Objetivo geral:
Trata-se de um desdobramento da experimentação com os objetos: na experimentação abordada anteriormente a ênfase está no deslocamento destes objetos no espaço, em relação aos quais o corpo humano mantém-se a rigor estático, deslocando-se apenas na medida em que é demandado pelo corpo objeto. Ao enfocar a dança, propõe-se equilibrar ou, inclusive, inverter esta relação: isto é, enfatizar os movimentos e a gestualidade do corpo humano, inserindo o corpo objeto como parte de uma composição – entendida no sentido coreográfico. Desta maneira, a temática “dança” propõe que sejam compostas, a partir das técnicas e experimentações realizadas, sequências de movimentos que se caracterize como uma breve performance.

Objetivos específicos:
- Abordar contextualmente as diferenças e aproximações entre as artes do circo e da dança;
- Experimentar uma dança que é produzida a partir dos objetos;
- Explorar as dinâmicas destes corpos no espaço variando direções, ritmos, intenções e expressões;
- Investigar e criar uma composição malabarística enfatizando a interação entre os corpos (humano e objeto) onde a ênfase recai nos movimentos, na gestualidade – ficando o aspecto técnico subentendido neste processo.
Método
O método de condução das aulas privilegia explorações e experimentações por meio de proposições de exercícios de conscientização de si, e de si com objetos. Cada encontro inicia com exercícios de sensibilização e conscientização, do espaço e dos movimentos, enfatizando a importância da atenção. O segundo momento é desenvolvido de acordo com a temática abordada na ocasião da aula. Neste, são intercalados momentos de contextualização – isto é, de exposições do professor por meio da verbalização e demonstração gestual – com práticas exploratórias. Tais práticas são orientadas ao domínio do movimento, sobretudo na temática “técnica”, à percepção de possibilidades de movimento e inventividade, enfaticamente nas experimentações, e ao refinamento da propriocepção e consciência a respeito do equilíbrio, ritmo, respiração e movimentos internos e externos, em destaque na relação com a dança – mas estes aspectos mencionados estão presentes em todas as aulas, embora enfatizados a depender da temática abordada. Os exercícios variam entre individuais, em duplas ou em grupo. Um terceiro momento, de encerramento do encontro, é destinado à partilha, por parte dos estudantes, com o grupo, seja demonstrando o que foi criado em aula – uma sequência de movimentos com a bola, por exemplo – ou em uma fala sobre as experiências e percepções. Este momento é finalizado por uma fala por parte do professor, com uma breve retomada sobre o conteúdo desenvolvido no dia, observações sobre as práticas e possíveis aprimoramentos, e menção às interconexões com os conteúdos a serem desenvolvidos nas próximas aulas.
Considerações finais
Trata-se, no geral, de uma abordagem que busca um aprimoramento da consciência de si por meio da arte, e uma expressão artística aprimorada por meio de uma consciência de si. Logo, o aspecto educacional que é privilegiado, frente à dimensão estética, entendida como efeito dela. Esta abordagem, que privilegia a educação corporal, bem como o contexto histórico e filosófico, é mobilizada, por parte do professor, em função de uma transversalidade de saberes e práticas de sua própria formação, que passam pela arte marcial, Taekwondo, as Artes do Circo e da Dança, estudos do Yoga e Budismo, bem como de uma formação acadêmica na Educação Física e História, em nível de graduação, com mestrado e doutorado em Educação. Ou seja, este “encontro entre corpos”, expressão usada para descrever o malabarismo em oficinas de edições passadas, é mobilizado por saberes e experiências heterogêneas, que se compõe num campo interdisciplinar, com sua metodologia, entre arte e educação.
Crédito fotografias: Martha Reichel